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Sam Bird comemora vitória com a McLaren: “Sentimos o gosto do champanhe e vamos atrás de mais”

Em entrevista, Sam Bird revelou que McLaren teve papel importante na melhora de sua saúde mental, falou da emoção de vencer no Brasil e deixou claro qual é o objetivo na temporada: “Vamos nos divertir e caçar troféus”.



No dia 16 de março, a quarta rodada da 10ª temporada da Fórmula E aconteceu no Brasil, em São Paulo, no Sambódromo do Anhembi. A corrida entregou boas disputas, emoção e duas ultrapassagens incríveis no final da prova.


Oliver Rowland ficou com o terceiro lugar após passar Jake Dennis e Pascal Wehrlein na linha de chegada, porém, o feito de Oliver acabou não chamando tanta atenção, porque Sam Bird executou praticamente a mesma coisa, ao ultrapassar Mitch Evans na última curva para assumir a liderança da prova e receber a bandeira quadriculada, marcando a primeira vitória da McLaren na Fórmula E - desde que entraram na categoria no ano passado - e, por consequência, a primeira vitória de Sam Bird com o time papaya. 


O final de prova eletrizante arrepiou a todos que puderam assistir esse momento, seja de forma presencial ou não.


Na internet as reações diante do triunfo da equipe laranja foi insana, com diversas postagens escritas em caps lock (caixa alta) que refletiam o momento. Presencialmente, o Sambódromo do Anhembi parecia estar diante de uma decisão de título, tamanha a vibração do público. A sala de imprensa refletiu a mesma emoção das arquibancadas com jornalistas e fotógrafos de diversos cantos do mundo, gritando e aplaudindo com euforia o feito de Sam Bird naquela tarde de sábado. 


Dias depois da vitória, Sam Bird se reuniu com alguns veículos de imprensa em uma coletiva que o Entre Fórmulas também esteve presente. No papo, o piloto de 37 anos refletiu sobre o momento, falou sobre os problemas enfrentados nos últimos 2 anos, a emoção de vencer no Brasil com a McLaren, a evolução da equipe e os seus 10 anos de Fórmula E


No começo da conversa, Bird foi questionado sobre a sensação de retornar ao lugar mais alto do pódio após tanto tempo. A sua última vitória tinha acontecido na Corrida 2 do E-Prix de Nova York em 2021. Além disso, os últimos dois anos foram marcados por inconstâncias em seu desempenho e já era de conhecimento daqueles que acompanham a Fórmula E com mais afinco que Sam estava passando por problemas pessoais. 


“Quando se fala que eu tive dificuldades, meio que se sugere que eu tive um desempenho extremamente baixo. Eu desempenhei abaixo em relação às minhas próprias conquistas, isso é fato, mas mesmo assim eu consegui alguns pódios no ano passado”, comentou Bird referindo-se aos seus resultados na Jaguar. 


Sam Bird durante a entrevista com o Entre Fórmulas

(Reprodução: Formula E/Sonia Cury - Entre Formulas)


O britânico reforçou que para ele não foi o fim do mundo, porque ele chegou ao pódio algumas vezes. O que de fato lhe incomodou foi não ter conseguido vencer, já que ele detinha o recorde de único piloto que conseguiu ao menos uma vitória em todas as temporadas da Fórmula E, o que foi quebrado depois de não chegar em primeiro lugar em 2022 e 2023. 


“Muitos dos meus problemas foram fora da pista. Imagina você ir trabalhar e algo na sua vida não está funcionando do jeito que deveria, ou você não está feliz na sua vida fora do trabalho e você acaba trazendo isso para o trabalho. Agora, quando você coloca tudo isso em um ambiente onde você precisa ser rápido, se você está 0,01% abaixo do seu melhor desempenho, isso significa 1 décimo a menos dentro de pista e na Fórmula E isso é o suficiente para te tirar do topo do pelotão”, disse.


Entretanto, Sam garante que agora se encontra mentalmente em um lugar muito melhor e muito dessa melhora ele afirmou ser em virtude das pessoas que trabalham na McLaren, que lhe deram todo o apoio emocional e acolhimento. Segundo o piloto, todos lhe receberam de braços abertos e colocaram o sorriso de volta no rosto dele, tanto que para Bird o ambiente é tão bom que ele gosta de chegar mais cedo na sede da equipe para trabalhar e brincou com os jornalistas ao dizer: “cheguei ainda mais cedo hoje, quem é o doido que faz isso?”


Questionado pelo Entre Fórmulas sobre a sensação de vencer no Brasil com a McLaren, o piloto destacou o impacto e todo o simbolismo disso, uma vez que esse ano completa 30 anos da morte de Ayrton Senna e também porque a história da McLaren no automobilismo está profundamente interligada com o Brasil.


“A ligação que a McLaren tem com o Brasil é muito forte, especialmente, por causa do Ayrton Senna. Eu fui em uma coletiva de imprensa na McLaren São Paulo e lá eu tirei uma das minhas fotos favoritas. No salão tinha um dos meus carros favoritos da McLaren na cor papaya e atrás do carro tinha uma pintura enorme do Senna. Isso simboliza a McLaren e isso simboliza o Ayrton Senna. Eu tenho tantas memórias do que ele era capaz de fazer, especialmente em Interlagos, onde teve uma prova que ele pilotou um carro quase impossível de dirigir e quando ele conseguiu cruzar a linha de chegada, o público foi a loucura”, relembrou. 


Bird tirando foto com a pintura do Ayrton Senna na sede

da McLaren São Paulo (Foto: Fernanda Freixosa/McLaren Brasil)


Para Bird, outro marco importante de sua vitória no E-Prix de São Paulo foi o fato de que Emerson Fittipaldi estava como convidado da McLaren nesta corrida e foi quem balançou a bandeira quadriculada no momento em que Sam ganhou a prova. 


“Esse ano marca o aniversário de 50 anos de quando o Emerson conquistou o primeiro título da McLaren na Fórmula 1. Eu não sei como isso poderia ser mais icônico para nós da McLaren e para mim. Foi um momento muito especial que eu guardarei para sempre com muito carinho. E ter ele no pódio com a gente, celebrando, ele segurou o meu troféu, nós tiramos fotos e eu tenho certeza que em breve essa sala (Sam estava na sede da McLaren na hora da entrevista) vai ter algumas fotos desse final de semana, como uma boa memória e como um lembrete que diz: ‘Hey, nós já provamos do sucesso no passado, vamos atrás de mais momentos assim’. Foi simplesmente incrível”, disse emocionado. 


Uma coisa que não passou despercebido foi o bom desempenho do trem de força da Nissan ao longo de toda a corrida. A etapa no Anhembi marcou um dos dias mais quentes da história da cidade de São Paulo, por isso, a preocupação das equipes com a temperatura das baterias e do trem de força era ainda maior do que o gerenciamento de energia. Os sistemas de resfriamento foram cruciais diante da temperatura da pista, que no início da prova estava acima dos 60 graus celsius. 


Dentro do top 10, Sam Bird e Oliver Rowland pareceram ser os pilotos que menos sofreram com a alta temperatura e conseguiram chegar mais fortes para a parte final da corrida em comparação com seus adversários diretos na briga por posições. 


“A Nissan tem feito um ótimo trabalho e estamos indo na direção certa. Tem algumas razões pelas quais eu acho que fui capaz de fazer o que eu fiz em São Paulo. Porém, eu prefiro não comentar sobre como gerenciamos a temperatura da bateria, porque é muito difícil eu comentar sobre isso sem acabar entregando algum segredo. Se a gente tiver uma pequena vantagem em relação às outras equipes, eu prefiro manter dessa forma”, explicou. 


Emerson Fittipaldi no pódio celebrando a vitória da McLaren

com Sam Bird (Foto: Simon Galloway/Formula E)


Um pouco depois, o Entre Fórmulas destacou que 2024 é um ano importante para a Fórmula E, já que a categoria completa 10 anos e, por consequência, Sam Bird também completa 10 anos de história com a FE.


Por isso, foi pedido que Bird compartilhasse algumas de suas lembranças favoritas e o piloto abriu o coração ao relembrar de sua trajetória.


“Eu tenho 12 lembranças favoritas agora e o plano é aumentar isso (se referindo a quantidade de vitórias que ele tem na categoria). Sinceramente, a vitória de sábado em São Paulo é um dos meus momentos favoritos dentro da Fórmula E, talvez, o mais favorito. Mas, a minha primeira vitória foi especial também. Foi uma vitória que eu não esperava devido a situação da equipe na época. Além disso, essa conquista veio algumas semanas depois que um dos meus melhores amigos no automobilismo se envolveu em um acidente sério e eu pude dedicar essa vitória a ele. Infelizmente, as coisas não deram certo para ele, o que foi uma pena. Mas eu guardo essa corrida com muito carinho.”


Com foco nas próximas etapas e o que vem pela frente no calendário, o britânico se mostra otimista com o futuro, mas acima de tudo, feliz.


Era possível notar ao longo da coletiva de imprensa um brilho no olhar que não se via a muito tempo em Sam Bird. Talvez, para alguns fosse apenas por conta da vitória recente que se encontrava fresca na mente de todos. Porém, para aqueles que viram os altos e baixos de Bird na categoria, o brilho no olhar tinha algo a mais, como um sentimento que é impossível de ser explicado.


Segundo as palavras do próprio Sam ao descrever o impacto dessa vitória, “a McLaren é uma marca gigante e todo mundo na Fórmula E queria que isso acontecesse, porque é bom para a categoria uma grande equipe vencer”, principalmente, quando se pensa na quantidade de mídia e atenção pública que isso traz.


E agora, Sam Bird está marcado nessa história para sempre. 


“Eu disse na nossa reunião de equipe: ‘A gente teve um gosto do champanhe, agora vamos atrás de mais. Vamos caçar troféus. Vamos nos divertir e ver o quão longe a gente pode chegar!’”, finalizou. 

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