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Jake Dennis fala sobre suas duas temporadas na Andretti, companheiros de equipe, Indy e Gen3

Sendo o principal nome da Andretti na Fórmula E, Jake Dennis analisa a sua trajetória e diz que pretende fazer carreira dentro da categoria



Com uma renovação de contrato de múltiplos anos com a Andretti, Jake Dennis está rumo a sua terceira temporada na Fórmula E e em pouco tempo se tornou o cara da equipe. Jake surpreendeu, não só devido ao incrível desempenho que teve em seu primeiro ano quando ficou em terceiro lugar no campeonato mundial, o que é um feito surpreendente para um rookie na categoria, mas por rapidamente assumir o posto de líder e criar uma conexão única com o time.


Iniciando uma nova fase com o Gen3 batendo na porta, o piloto britânico se mostra otimista com o futuro. O ano de 2022 foi um período para colocarem a equipe nos eixos. Com o fim da parceria com a BMW, por mais que ainda tivessem o suporte em relação ao powertrain, a maior parte da equipe de engenheiros e operações gerais teve que ser renovada. Muitos dos novos funcionários que chegaram para trabalhar na equipe nunca haviam atuado em nada relacionado a Fórmula E e tiveram que aprender com a temporada em andamento.


O piloto de 27 anos, revelou em recente entrevista ao The Race, que o pódio conquistado em Diriyah no começo da oitava temporada, não foi uma das melhores coisas que poderiam ter acontecido em relação ao nível de expectativa que acabou sendo gerado depois disso. As cinco rodadas seguintes foram bem difíceis para a equipe, inclusive, Jake descreveu o momento como “um tapa na cara”. O carro estava muito lento e ao término de cada E-Prix, eles voltavam ao planejamento.


O carro de 2022, não teve um grande desenvolvimento em relação ao carro de 2021, mas a Andretti fez um bom trabalho de coleta de dados durante esse período difícil na temporada e, aos poucos, as coisas foram melhorando em termos de encontrar o melhor acerto para o carro.


“Ficou evidente os problemas em ter ritmo de corrida, o que foi um passo para trás em relação a eficiência que havia em 2021. Nós entendemos que não tinha como competir com a Mercedes, Venturi, Jaguar ou Techeetah. Brigar por um P8 era o melhor que a gente podia conseguir. Mas no final da temporada, as coisas começaram a se alinhar. A pista de Londres não exige uma administração tão grande de energia e em Seul foi uma pista rápida para a gente. Conseguimos conquistar pontos nessas etapas, o carro estava rápido e a equipe fez um grande trabalho na configuração para essas corridas. Foi uma grande virada para a Andretti”, disse Jake.



Jake na sua primeira vitória na Fórmula E em Valência (foto: FIA Formula E)



O ANO DE ESTREIA


O piloto que chegou como titular em 2021 e sob muita desconfiança de jornalistas e fãs da categoria, provou o seu valor ao fazer uma temporada sensacional como rookie e ficar em terceiro lugar no campeonato mundial.

A chance na Andretti veio no momento em que Dennis mais precisava, já que estava difícil se manter financeiramente no esporte e encontrar uma categoria onde ele conseguisse projetar uma carreira. Na época, a Andretti tinha uma parceria com a BMW para competir na Fórmula E.


“Eu só tinha uma ligação na BMW, que foi um dos chefes de engenharia da Arden em 2016, quando eu competi por eles e ele era o responsável pela parte de energia. Ele me disse que tinha uma oportunidade de teste e que eu poderia tentar”, comentou.


Haviam seis pilotos disputando a vaga, mas antes era necessário passar por uma avaliação geral no simulador. A vantagem de Jake é que ele é muito habilidoso nos simuladores, sendo uma das coisas que ele mais gosta de fazer e devido a sua boa performance, há muitos anos ele ocupa o posto de piloto de simulador na Red Bull na Fórmula 1.

Depois de ter ido bem nessa avaliação inicial, Jake Dennis entrou no grupo dos seis pilotos que disputavam a vaga. Eles foram fazendo os testes e a cada etapa alguém ia sendo dispensado, até que sobrou ele e um outro piloto que foi cortado antes do teste final realizado em Valência, ficando apenas ele na pista para mostrar que merecia uma chance dentro da equipe.


“Sinceramente, eu conseguia pensar em mais razões para eles não me escolherem do que razões para me escolherem. A única coisa que eu tinha como uma carta na manga é que eu era rápido. Alguém que eu sempre serei grato é o Michael Andretti, ele nunca ligou para o que pensava os caras que estavam acima dele. Mas o Michael queria o cara mais rápido e no fim ele foi contra todo mundo e assumiu o risco que era eu”, disse.


Uma das coisas que Jake mais se orgulha é poder ter retribuído essa confiança que Michael Andretti depositou nele ao fazer uma boa temporada de estreia na Fórmula E, mas seu começo foi bastante turbulento, porque além de não estar sendo rápido o bastante, nos momentos em que conseguia avançar com o carro alguma coisa acontecia.


“Teve momentos em que pontos que claramente poderiam ter sido conquistados, não foram. A etapa em Roma é um grande exemplo. Eu tinha ido bem no treino livre, consegui ficar entre os dez primeiros e isso aumentou a minha confiança, porque eu nunca tinha ficado nessa posição. Então, teve um momento antes da corrida, onde eu estava praticando a largada assim como todo mundo e acho que o Oliver Turvey esqueceu disso e destruiu o meu carro ao colidir comigo. Foi frustrante.”


Na segunda corrida da etapa de Roma, Jake estava pronto para participar da classificação e estava em um grupo que pegou a pista seca, o que era muito positivo, pois o grupo que havia entrado antes tinha encarado uma pista molhada devido a chuva que estava se fazendo presente em alguns momentos ao longo do final de semana. Contudo, o carro de Dennis não ligou, ainda havia algum dano no software devido a batida de Turvey no dia anterior e ele ficou de fora.


Tudo começou a mudar na sua primeira vitória na categoria, que foi conquistada em Valência, onde na segunda corrida ele foi pole e liderou a prova do começo ao fim em uma pista conhecida por ser difícil de se conseguir isso devido ao traçado.


“Minha confiança cresceu, eu voltei a acreditar em mim de novo e a equipe também, principalmente, eu e meu engenheiro. Esse também foi um divisor de águas entre eu e o Max (Günther). O setup dos carros eram completamente diferentes, além do jeito de pilotar e eu nem sempre percebia isso, só me dava conta no final da corrida quando víamos a distância de um para o outro”, disse.


Era difícil comparar os dados, porque na época cada um deixava os seus pneus de um jeito. Às vezes, um deles ia com dois pneus aquecidos na frente e dois frios atrás. Às vezes, um deles fazia testes com os pneus durante os treinos e o outro não e quando se olhava os dados não se tinha um parâmetro muito claro entre o desepenho do Jake e do Max, já que variava muito de uma etapa para outra. Além disso, os engenheiros de cada piloto tinham uma forma muito diferente de trabalhar na configuração dos carros, então, para Jake era quase impossível aprender com base no que era feito no carro do Günther.


Apesar disso, Dennis seguiu crescendo ao longo da temporada e depois da vitória conquistada no E-Prix de Londres, ele se manteve dentro do top 5 nas corridas, até ter um problema na final em Berlim, onde o seu carro teve uma pane e parou. Mas no geral, ele avalia que foi uma grande temporada de estreia.


Jake Dennis e Oliver Askew em sessão de fotos oficiais da equipe Andretti (foto: Avalanche Andretti FE)



OLIVER ASKEW E TESTE NA INDY


Em 2022, com a ida de Maximilian Günther para a Nissan, a Andretti contratou Oliver Askew como o seu segundo piloto. O norte-americano corria pela Indy antes de se aventurar na Fórmula E e foi o parceiro de Jake ao longo da oitava temporada. Os dois criaram um vínculo de amizade e compartilharam muitos momentos divertidos.


Oliver encontrou dificuldades em conseguir se adaptar ao carro, mas se esforçou ao máximo para aprender, entretanto, quando ele finalmente conseguiu ser mais rápido, a temporada chegou ao fim e a equipe Andretti decidiu não renovar com ele.

Apesar de achar que Askew merecia ter tido um segundo ano, Jake entendeu as razões da equipe e revelou que vai sentir falta da presença do amigo no grid.


“Honestamente, depois de eu ter feito o teste da Indy, eu consegui entender que o que ele mais teve dificuldade foi com a freada na Fórmula E. Oliver construiu a carreira dele nos EUA, o carro da Indy é mais bruto, tem muito downforce e acho que quando você passa anos na Indy apertando o freio com tudo, você não tem o jeito de frear que a Fórmula E exige, que é algo mais suave”, contou.


A oportunidade de testar na Indy com a Andretti, veio um pouco depois de ele ter renovado o seu contrato com a equipe na Fórmula E. Pilotar o carro da Indy era o que faltava na lista do britânico, que apesar de jovem já competiu nos mais diversos tipos de carro.


“Foi uma experiência incrível. Eu acabei de assinar um contrato de múltiplos anos com a Andretti na Fórmula E, então, eu sabia que eu não ia para a Indy e para ser sincero eu não tenho muito interesse em competir na Indy. Eu apenas quis aproveitar e a equipe só queria saber como eu iria conduzir isso, porque se eu chegasse querendo ser o mais rápido, eu iria pedir para ter os pneus novos e o melhor setup para isso. Porém, eu disse que não iria me importar com o meu tempo nas voltas e que se tivesse que testar coisas, eu testaria. Foi assim que fizemos e tivemos muito tempo para tentar muitas coisas. Foi basicamente um teste para eles e um momento divertido para mim.”


Ainda sobre o assunto da Indy, Jake revelou ser um grande fã da categoria norte-americana e que um de seus objetivos é poder assistir uma corrida presencialmente. O britânico não descarta a possibilidade de um dia correr por lá, mas reforça que o seu principal objetivo é construir uma carreira na Fórmula E.


“Claro que se em algum momento o Michael (Andretti) e eu acharmos que vale a pena tentar algo na Indy, podemos alinhar isso. Mas eu estou muito feliz na Fórmula E e quero trabalhar e estar envolvido com a categoria”, afirmou.


Jake durante o E-Prix de Londres 2022 (foto: FIA Formula E)



ANDRÉ LOTTERER, GEN3 E PNEUS HANKOOK


Contrariando o que muitos pensavam, Lotterer permaneceu na Fórmula E e terá a Andretti como o seu novo lar, o que é bem interessante, já que a equipe usará o powertrain da Porsche em 2023 e André é um especialista quando o assunto é Porsche.

Apesar de ainda não ter conquistado uma vitória dentro da categoria elétrica, Lotterer tem um currículo extenso e repleto de conquistas. A sua experiência como piloto é uma das coisas que mais chama atenção para Jake e ele espera poder aprender com o seu companheiro de equipe.


“Eu estou ansioso para aprender com ele em relação a forma em como ele age ao longo do final de semana, eu acho que alguém com tanta experiência vai me ensinar muito nesses aspectos. Em questão de desempenho em pista, eu posso seguir do meu jeito. Mas é a forma em como ele fala com os engenheiros, como trabalha com a equipe ao redor dele, que eu estou mais ansioso para observar e aprender. Ele é um cara incrível, eu sou muito amigo dele e é alguém sensacional”, disse.


Dennis comentou que eles estão trabalhando com a equipe nos acertos do carro para a próxima temporada, focando nos pormenores do software da Porsche.

Muito se fala sobre o Gen3 e as mudanças do carro, que passará a ter dois powertrain, uma capacidade de regeneração de energia ainda maior e será mais potente, fazendo com que os pilotos tenham que se adaptar a uma nova forma de lidar com seus carros.


Um ponto que Jake destacou bastante foram os pneus, que a partir de 2023 passarão a ser da marca Hankook ao invés da Michelin. Os comentários feitos por ele foram bem similares aos de Sérgio Sette Câmara em uma entrevista realizada recentemente, na qual teve participação do Entre Fórmulas (você pode assistir a entrevista e saber mais aqui).


“Eu acho que o pneu da Hankook é mais resistente em comparação com os (pneus) do ano passado, onde no final de uma corrida eles eram praticamente pneus slick. Os blocos de borracha do pneu se desgastavam e se você tivesse qualquer chuva nos últimos 15 minutos de corrida, como aconteceu em Nova York, poderiam ter vários pilotos batendo. Os pneus da Hankook são mais robustos e dificilmente teremos um problema como o que tivemos com a Michelin em Nova York na última temporada. Acredito genuinamente que teremos um pneu que vai desempenhar bem em pista seca e molhada”, revelou.


Jake disse estar otimista com o carro, uma vez que nos testes realizados tudo parece estar dando certo, contudo, ele sabe que a pré-temporada realizada em dezembro vai lhes ajudar a ter uma noção maior de onde de fato estão no momento, para que no começo da temporada em janeiro eles consigam obter as respostas que procuram de maneira mais clara dentro de pista.


O carro do Gen3 é o mais veloz que a Fórmula E já teve e Jake acredita que vai ser bastante difícil para os pilotos em algumas pistas, como, por exemplo, lidar com o segundo setor do E-Prix de Diriyah e o segundo setor do E-Prix de Roma. Mas é justamente esse tipo de desafio que os pilotos amam e ele está ansioso para poder voltar às pistas e encarar cada reta e curva das 17 corridas programadas para acontecer de janeiro a julho de 2023.

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