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Dança das cadeiras da Fórmula E: engenheiros, mecânicos e chefes trocando de equipe

Membros importantes mudando de cargo, novas contratações e como a silly season interna da Fórmula E tem se mostrado ainda mais maluca do que as movimentações dos pilotos



Com o Gen3 Evo programado para estrear em 2025 e as equipes já se preparando para o Gen4, grandes mudanças estão ocorrendo aos poucos em posições importantes dentro dos times que integram o grid da Fórmula E e isso ficará cada vez mais evidente nessa reta final de ano, que antecede a estreia da 10ª temporada, cujo início será no dia 13 de janeiro de 2024 na Cidade do México.


Confira abaixo as principais movimentações das equipes e como isso pode impactar nos projetos futuros.



UMA GRANDE MUDANÇA NA JAGUAR


Uma das primeiras bombas - que foi anunciado pelo site The Race - foi a saída de Phil Charles, membro da Jaguar desde 2017. Charles foi o responsável por diversos projetos da equipe, incluindo a supervisão da parte técnica durante toda a era do Gen2 e do primeiro design do Gen3, o Jaguar I-Type 6, no ano passado. Phil também foi responsável pelo projeto do Gen3 Evo para 2025, uma das apostas mais ambiciosas da Jaguar.


O trabalho de Phil foi além do desenvolvimento geral do trem de força, sendo extremamente importante na contratação de pessoas que ocupam posições chave dentro da equipe.


Entende-se que a decisão de Phil Charles deixar a Jaguar surgiu do seu desejo de perseguir um novo desafio, o que pode acontecer dentro da própria Fórmula E. Foi especulado que Phil poderia ir para a Mahindra, já que a equipe indiana está fazendo um projeto de reestruturação da parte técnica e vem conversando com a Mercedes para uma possível parceria durante o Gen3 Evo e o Gen4. Contudo, os burburinhos começaram a diminuir e uma outra equipe vem aparecendo no radar: DS Penske.


Jean-Éric Vergne integra a equipe franco-americana e Phil Charles já trabalhou com o piloto durante a época em que o mesmo competiu na Fórmula 1. Apesar de ter uma boa relação com os membros da DS e possuir uma parceria de longa data, Vergne não escondeu a sua frustração referente a alguns acontecimentos da temporada de 2023 e poder contar com Charles na equipe pode ser uma solução para os seus problemas.


Vergne no E-Prix de Roma em 2023 (foto: Formula E)


A DS Performance é o braço desportivo da DS Automobiles, que por sua vez é propriedade do grupo Stellantis, e assim como em um grande jogo de xadrez, as peças estão se movendo dentro da Fórmula E de uma maneira geral.


Thomas Chevaucher, diretor do programa técnico da Stellantis, vai deixar o cargo para assumir uma posição dentro da FIA, juntando-se a Xavier Mestelen-Pinon, que já trabalhou com ele dentro da DS como chefe técnico em 2019. Acredita-se que Chevaucher possa assumir a posição de gerente técnico da Fórmula E, cargo esse que era ocupado por Alessandra Ciliberti, que recentemente saiu da FIA.


Isso abre um possível espaço para Phil Charles ingressar na DS ocupando o cargo deixado por Thomas, mas vai depender do interesse de Jay Penske em fazer esse movimento de contratar um dos técnicos mais completos da categoria elétrica e também de Charles deixar a Inglaterra para se estabelecer na França, uma vez que toda a estrutura da DS está localizada no sul de Paris.



MASERATI PROCURANDO UM NOVO CHEFE DE EQUIPE; MAHINDRA CORRENDO ATRÁS DA MERCEDES E AS NOVAS CONTRATAÇÕES DA NISSAN


A Maserati MSG Racing também vem enfrentando muitas mudanças internas. James Rossiter deixou o cargo de chefe de equipe e a Maserati segue em busca de alguém para substituí-lo. Além de Rossiter, quem também deixou a equipe foi Jeremy Colancon, que ocupava a posição de engenheiro chefe, mas ao que tudo indica, Colancon já está de casa nova na Fórmula E e o seu destino deverá ser revelado em breve.


Cyril Blais, engenheiro de Maximilian Günther, deve assumir o cargo que anteriormente era ocupado por Jeremy dentro da Maserati, com isso, Max terá Pierre-Paul Fery como o seu engenheiro de corrida ao longo da temporada de 2024.


A Mahindra tem conversado com a divisão de alta performance da Mercedes AMG para uma possível parceria no trem de força para 2025/2026. Essa colaboração técnica seria crucial para colocar a equipe indiana nos eixos novamente, além das grandes contratações que estão sendo feitas com foco na segunda parte do Gen3 e já contemplando todas as mudanças que virão com a entrada do Gen4.


O que fortifica ainda mais os rumores desse possível trabalho em conjunto são as novas contratações da Mahindra na parte técnica. Muitos nomes ainda não são de conhecimento público, mas entre os que já foram anunciados, destaca-se Tony Ross, que vai assumir o cargo de consultor técnico a partir de 2024. Ross é ex-engenheiro da Mercedes na Fórmula 1, tendo atuado na equipe entre 2011 e 2018, inclusive como engenheiro de corrida de Nico Rosberg e Valtteri Bottas.


A Nissan também se mexeu bastante em 2023, entretanto, as mudanças da equipe já são de conhecimento público desde o início do ano.


Em abril foi revelado que a equipe japonesa - que tem a sua sede da Fórmula E estabelecida na França - contratou Cristina Mañas Fernandez, engenheira de performance de Mitch Evans na Jaguar ao longo de quatro temporadas, para assumir o cargo de engenheira chefe de performance na Nissan.


Cristina e Mitch durante a sexta temporada da FE (foto: Jaguar Racing)


Mañas é um dos nomes femininos de maior força dentro da Fórmula E, sendo reconhecida por seu trabalho de excelência na parceria de longa data com Mitch Evans. A engenheira assumiu oficialmente o seu novo cargo na Nissan em setembro de 2023, dois meses após o término da 9ª temporada da Fórmula E.


Outra contratação importante para a Nissan foi a de Theophile Gouzin, ex-diretor técnico da Spark Racing Technology, onde liderou o projeto de design e desenvolvimento dos carros do Gen1 e do Gen2, além de ter sido um dos pilares na fundação do projeto da Extreme E.


Ele trabalhará ao lado de Vincent Gaillardot, atual diretor do programa técnico da Nissan, que integra a equipe desde 2014. Enquanto Vincent focará nos projetos de longo prazo, como o Gen4, Theophile vai atuar nas metas de curto prazo da equipe nipônica.



NOVAS CONTRATAÇÕES PARA O FUTURO


Apesar de silenciosas, novas contratações de menor expressão também foram feitas nas outras equipes do grid, que mantiveram grande parte de seus funcionários.


Equipes como a Envision, McLaren, Andretti e ERT chegaram a abrir vagas para cargos mecânicos e de engenharia enquanto a 9ª temporada ainda estava acontecendo. Além da parte ligada diretamente com os carros, equipes como a Andretti e a Envision também contrataram pessoas para atuar em áreas administrativas e de comunicação.


Uma parte desses profissionais integraram os times entre agosto e setembro, sendo que outros devem chegar antes do início da temporada de 2024. Essas contratações sempre passam despercebidas aos olhos do grande público, porque boa parte das novas adições atuam diretamente nas fábricas e sedes das equipes.


Contudo, ainda é esperado que mais grandes nomes possam impactar o mundo da Fórmula E antes do início da temporada de 2024. Afinal, desde a divulgação do edital técnico do Gen4 em junho deste ano, todas as equipes vêm se estruturando para trabalhar no projeto.


Os motores Gen3 Evo já estão praticamente concluídos, faltando apenas algumas melhorias técnicas que cada equipe fará de acordo com o que forem desenvolvendo, mas os testes em pista dos novos motores serão iniciados no meio do próximo ano.


As novas opções de borracha e compostos dos pneus da Hankook para a segunda fase do Gen3, vão passar por seus primeiros testes ainda em novembro de 2023. Sendo que os fornecedores que se inscreveram para atuar no Gen4 na parte de pneus e bateria, serão revelados no final de novembro.


Os primeiros testes de segurança do carro do Gen4 estão programados para acontecer entre outubro e novembro de 2024 e o projeto precisa estar pronto - com todos os devidos testes de desenvolvimento e segurança realizados - até 1º de setembro de 2026.


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