top of page

Saiba como foi o primeiro dia da pré-temporada da Fórmula E em Valência

De Dan Ticktum perdendo a credencial até Max Günther liderando as duas sessões de testes, confira como foi o primeiro dia da pré-temporada da categoria elétrica



Na manhã desta terça-feira (13), a Fórmula E deu início aos testes da pré-temporada no Circuito Ricardo Tormo em Valência, pista essa que sempre é usada pela categoria para esse momento que antecede o começo de um novo campeonato.


O Entre Fórmulas acompanhou todas as atualizações referentes aos testes, assim como participou virtualmente da conferência de imprensa, por isso, segue abaixo alguns detalhes do que aconteceu ao longo das sessões matutinas e vespertinas dos testes.


SHAKEDOWN E PRIMEIRA SESSÃO DE TESTES


Na segunda-feira (12), todas as equipes fizeram 30 minutos de shakedown para reconhecimento da pista e também do carro. Essa foi a primeira vez que os pilotos tiveram contato com o carro que irão de fato usar ao longo da temporada de 2023.

Nos testes de desenvolvimento do Gen3, realizados depois do término da oitava da temporada, os pilotos usaram os carros de teste e os dados obtidos foram aplicados no carro que estão usando em Valência, levando em conta o estilo de pilotagem de cada um e as configurações que o engenheiro de cada piloto elabora.


Depois dos três dias de teste na Espanha, eles só voltam a mexer no carro no final de semana do E-Prix do México, que abre a nona temporada.


Durante o shakedown, três pilotos não conseguiram completar os 30 minutos.

O carro de Sacha Fenestraz da Nissan, parou por um problema não especificado e ele teve que deixar a pista.

René Rast e Jake Hughes, pilotos da McLaren, se envolveram em um incidente onde os dois acabaram batendo um no outro e com isso voltaram para os boxes.

No shakedown os tempos não foram cronometrados e todos os outros pilotos concluíram as suas voltas dentro do prazo estipulado.


Vandoorne e Vergne deixando os boxes na primeira sessão de testes (foto: DS Penske)


Chegando no primeiro dia de testes, o principal objetivo não era o tempo conquistado em pista, mas sim focar nas orientações mais específicas como verificar a regeneração dos carros, o sistema de frenagem, durabilidade dos pneus e coletar dados.


Assim que todos foram liberados para começar as atividades na pista, uma ausência foi notada no instante em que os carros começaram a sair dos boxes: Dan Ticktum.

O piloto da NIO teve um atraso de aproximadamente uma hora e meia para a primeira sessão de testes, porque ele perdeu a credencial que dava acesso ao circuito e teve que aguardar o escritório de credenciamento abrir para fazer uma nova. Somente após isso, o britânico conseguiu se encaminhar para o paddock e iniciar os trabalhos com a sua equipe.

A ABT teve problema com ambos os carros e isso atrasou a entrada de sua dupla de pilotos na pista. Robin Frijns levou uma hora para poder marcar os seus primeiros tempos e Nico Müller perdeu quase duas horas da primeira sessão de testes, enquanto aguardava os engenheiros resolverem a situação.

Isso atrapalhou na coleta de dados e os testes mais específicos da equipe, porque cada sessão tem 3 horas de duração.


Jake Dennis também chegou a perder os 30 minutos iniciais do Teste 1 por problemas no carro, mas a Andretti rapidamente resolveu a situação do piloto do carro 27.


O piloto da Mahindra, Oliver Rowland, foi um dos principais destaques da primeira sessão, dominando quase que de ponta a ponta as três horas de duração do teste com o tempo de 1m26s351, marca essa conquistada na volta de número 11.

Contudo, nos 20 minutos finais, Jake Hughes e Max Günther, aproveitaram a melhora das condições de pista e apostaram nas voltas rápidas, o que surtiu efeito. Max terminou a sessão em P1 com o tempo de 1m26s096 e Jake Hughes veio logo em seguida com o tempo de 1m26s178, jogando Rowland para o P3.


Sérgio Sette Câmara, também se destacou na primeira sessão, onde por boa parte dela se manteve em P5 e com o melhor tempo do primeiro setor. O piloto brasileiro somente perdeu posições nos minutos finais do Teste 1.


Tivemos duas bandeiras vermelhas durante a manhã. A primeira foi com Nick Cassidy, piloto da Envision, que girou na volta 5 e ficou preso na brita, minutos depois o mesmo aconteceu com o Mitch Evans, piloto da Jaguar. Em ambos os casos, o trator entrou na pista, levou o carro para os boxes e como não houve nenhum dano, os pilotos voltaram para a pista logo em seguida para prosseguir com os testes.


Melhores tempos por setor:


Setor 1 - Jake Hughes (28.851)

Setor 2 - Max Günther (30.794)

Setor 3 - Lucas di Grassi (26.031)


Confira abaixo os tempos dos pilotos após o término da primeira sessão:



CONFERÊNCIA DE IMPRENSA E FILMAGEM DAS EQUIPES


A conferência de imprensa com os chefes de equipe contou com a participação de Ian James (McLaren), Roger Griffiths (Andretti) e Sylvain Filippi (Envision).

Eles responderam perguntas referentes ao Gen3, pilotos, expectativas para a nova temporada e o Entre Fórmulas acompanhou virtualmente a conferência.


Ian James, chefe de equipe da McLaren, se mostrou animado e destacou a sua dupla de pilotos.


"O René Rast já correu pela ABT Audi e agora voltou dizendo que tem assuntos inacabados com a FE e esse é o espírito que buscamos. Jake Hughes foi crucial ao longo do desenvolvimento do Gen3, participando dos testes e agora ele tem a oportunidade de poder entrar de fato na pista e provar o que ele pode fazer ao longo do campeonato. Nós temos dois grandes pilotos que se integraram muito bem a equipe. Isso é animador”, afirmou Ian.


Roger Griffiths falou sobre como a ida de Andre Lotterer para a Andretti impacta positivamente na equipe, porque ele tem uma relação de longa data com a Porsche, correndo pela marca na WEC e agora que a equipe alemã está fornecendo o powertrain para o time norte-americano, o bom relacionamento pode ser a chave fundamental para que a Andretti possa voltar a brigar pelo campeonato.


“Eu acho que é uma combinação da experiência como piloto somada com a vivência dele na Porsche. Quando vemos as possibilidades, nós trabalhamos bem com a Porsche e ter alguém como o Andre que entende o sistema e a infraestrutura deles, serve como uma boa ponte para isso (para o bom relacionamento). Ele já está construindo algo sólido com o Jake e é bom ter todo o conhecimento dele junto com a juventude do Dennis”, disse Roger.


Sylvain Filippi foi perguntando sobre como é ter Sébastien Buemi na equipe, já que o suíço é um dos principais nomes da categoria, não só por ter ganhado o título na segunda temporada, mas por ter se mantido competitivo por tantos anos, embora, nas duas últimas temporadas ele tenha ficado mais apagado.


“Esses carros (Gen3) são muito complexos, o potencial é gigante, mas tem muitas coisas que precisam ser desenvolvidas e só podemos fazer isso correndo (na pista) com esses carros. O Sébastien tem um conhecimento técnico muito profundo sobre o carro e tem velocidade, o que é uma combinação necessária para levar dados para a fábrica. Veremos como a temporada vai se desenrolar, mas até aqui tem sido essencial”, enfatizou Sylvain.


Enquanto a conferência acontecia, metade das equipes do grid tiveram de 15 a 20 minutos cada para fazerem as filmagens da equipe com o carro em pista, provavelmente, essas gravações são voltadas para conteúdos promocionais nas redes sociais.

A outra metade do grid fará as filmagens no dia 16.


Equipes que filmaram no primeiro dia: Jaguar, Porsche, Andretti, Nissan e NIO.


Antes da retomada para a segunda sessão, o site alemão eFORMELde, informou que Mark Preston, CEO da equipe Techeetah (que saiu da Fórmula E após o término da temporada de 2022 por conta de problemas financeiros), estava presente nos testes em Valência.

Preston segue trabalhando nos bastidores para um possível retorno da Techeetah à Fórmula E, contudo, ele não quis falar a respeito do assunto.


Max Günther durante uma de suas voltas na chuva na segunda sessão de testes (foto: Maserati MSG Racing)


SEGUNDA SESSÃO DE TESTES E A CHUVA


A sessão vespertina foi mais parada devido a forte chuva que se fez presente em boa parte das 3 horas disponíveis para as equipes fazerem suas análises.

Um pouco antes da chuva começar a apertar, já estava um constante entra e sai dos pilotos nos boxes, porque eles seguiam as orientações dadas pelos engenheiros, executavam em pista o que era pedido e depois voltavam para debater sobre possíveis ajustes.


Mesmo os tempos não sendo melhores em relação a sessão matutina, Max Günther seguiu liderando a tabela de tempos fazendo 1m26s221, seguido por Pascal Wehrlein com 1m26s262 e Antonio Félix da Costa 1m26s683, ambos pilotos da Porsche. Mortara, companheiro de equipe de Max, ficou em P4 e foi seguido de perto pela dupla da DS Penske com Stoffel Vandoorne em P5 e Jean-Éric Vergne em P6.


De agitação, o que tivemos foram as bandeiras vermelhas que voltaram a marcar presença. Primeiro foi com Jake Hughes, que rodou entre as curvas 5 e 6 e foi parar na brita, tendo que ter o carro retirado por um trator. O mesmo aconteceu um tempo depois com Sérgio Sette Câmara, que rodou no mesmo ponto e teve que ter o carro retirado de pista também.

Ambos os pilotos conseguiram retornar para a pista depois disso e prosseguiram normalmente até o final da sessão.


Sébastien Buemi teve problemas com o seu carro da Envision e passou o Teste 2 inteiro dentro do box da equipe, enquanto os engenheiros tentavam resolver o problema sem sucesso. Ele foi o único piloto que ficou de fora dos testes vespertinos.


Sobre os tempos, é interessante notar que assim como Sette Câmara na primeira sessão, Dan Ticktum também dominou o setor 1 com a NIO na segunda sessão, entretanto - diferente do brasileiro -, o tempo dele não chegou a ser batido e o britânico manteve o resultado.


Melhores tempos por setor:


Setor 1 - Ticktum (28.926)

Setor 2 - Günther (30.823)

Setor 3 - Günther (26.281)


Confira abaixo os tempos dos pilotos após o término da segunda sessão:



INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES


No cadastro dos pilotos para os três dias de testes, deu para perceber que os únicos que vão trocar de carro entre si são o Vandoorne e o Vergne.

No primeiro dia, cada um ficou no próprio carro, mas no segundo dia o Stoffel irá assumir o carro 25 e o Vergne ficará no carro 1.


Um dos motivos para isso, pode ser para comparar o acerto do carro de ambos, embora tenham estilos de pilotagem completamente diferentes, ou até mesmo pode servir para verificar alguma coisa específica, de qualquer forma, isso chamou atenção já que nenhuma outra equipe cadastrou que fariam uma troca de carro entre os seus pilotos.


A boa notícia é que as temperaturas em Valência devem subir para o segundo dia de testes, a previsão é de céu claro e um clima mais quente, o que é ótimo já que o plano é fazer a simulação de uma corrida completa em uma das sessões, justamente, para ver como os carros desempenham em uma condição normal de E-Prix.


Boas condições climáticas irão permitir que eles possam andar mais rápido e as equipes poderão obter informações importantes que servirão como base para o planejamento para a primeira etapa da temporada que começa no dia 14 de janeiro no México.


Kommentare


bottom of page