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Saiba como foi o último dia da pré-temporada da Fórmula E em Valência

Acidente com Sébastien Buemi acende um alerta em relação ao trem de força da Jaguar e as equipes conseguem melhorar seus tempos em relação ao primeiro dia de testes



A Fórmula E chegou ao seu último dia de pré-temporada em Valência.

Mesmo com alguns problemas técnicos e o acidente envolvendo Sébastien Buemi, as equipes diminuíram seus tempos dentro de pista com quatro pilotos batendo o melhor tempo da Fórmula E no circuito Ricardo Tormo.


Apesar de o último dia ser considerado como o quarto dia da pré-temporada, oficialmente seria o terceiro com atividades na pista, porém, a Fórmula E acabou incluindo na agenda de quinta-feira (15), uma hora extra de teste para as equipes, onde não aconteceu muita coisa.

Inicialmente, a quinta-feira estava reservada somente para reuniões e o Media Day, onde os pilotos tiraram fotos e participaram das filmagens para o tema de abertura que é exibido nas transmissões de TV antes de cada corrida.


SESSÃO EXTRA


Na quinta-feira (15), a Fórmula E decidiu fazer uma sessão extra de testes na pista, como foi apenas uma hora - o que é quase nada se levar em conta que em um dia normal de testes eles tem 3 horas de pista pela manhã e 3 horas a tarde -, pouca coisa relevante aconteceu durante o período.


Inicialmente, 16 dos 22 pilotos começaram os trabalhos na pista, porém, poucos minutos depois Robin Frijns, Max Günther, Sam Bird, Andre Lotterer e Sacha Fenstraz se juntaram ao resto do pelotão.

Somente Nico Müller não participou da sessão extra devido a problemas técnicos com o carro e Antonio Félix da Costa deixou a sessão após 9 voltas devido ao mesmo motivo.


Passados 30 minutos da sessão, o piloto neozelandês da Jaguar, Mitch Evans, liderava com o tempo de 1m26s373. Na segunda posição, estava o seu companheiro de equipe Sam Bird, tendo atrás dele Robin Frijns, Stoffel Vandoorne e Edoardo Mortara, respectivamente.


Faltando 15 minutos para o encerramento do teste extra, o franco-argentino Sacha Fenestraz saiu da pista e parou um pouco depois da curva 8. Um trator foi acionado para a retirada do carro, porém, como estava nos minutos finais, a pista foi liberada assim que a Nissan de número 23 chegou na pista que funciona como uma saída de emergência.


Norman Nato foi quem liderou a sessão extra com uma volta de 1m25s776. Em segundo lugar, ficou o piloto da Mahindra, Oliver Rowland.


Carro de Buemi sendo levado para a garagem da Envision (foto: FIA Formula E)


ACIDENTE DE SÉBASTIEN BUEMI


Durantes os testes matutinos, passado um pouco mais de uma hora que os pilotos estavam na pista, Buemi escapou pela curva 4 e bateu na barreira, destruindo a parte dianteira de seu carro.


Acredita-se que o acidente foi causado por um problema no trem de força.

Atualmente os carros só são desacelerados na parte traseira através do sistema de regeneração de energia, não há freio hidráulico, o que significa que, no momento, os freios dianteiros são ineficazes para parar o carro diante de algum problema com o trem de força ou a bateria.


Não é a primeira vez que um acidente acontece por conta disso, meses antes da pré-temporada, Oliver Rowland e Sam Bird passaram pelo mesmo problema.

Nick Cassidy, companheiro de Buemi passou por algo semelhante no primeiro dia da pré-temporada, quando saiu pela curva 7, entretanto, o sistema voltou a funcionar e ele conseguiu parar o carro.


Depois do ocorrido com Buemi, a Jaguar segurou nos boxes todos os carros que utilizam o seu trem de força para que a situação pudesse ser averiguada.

Com isso, na metade do teste matutino, os dois carros da Envision e os dois carros da Jaguar estavam na garagem e os pilotos foram vistos conversando entre si sobre os acontecimentos.


Sabe-se que para evitar esse problema de falhas na frenagem, a Fórmula E está desenvolvendo um sistema de emergência que possa ser acionado diante de situações como as descritas acima. É esperado que isso seja implementado nos carros nas primeiras etapas da temporada de 2023.


É importante ressaltar que a equipe que mais teve problemas com isso é a Jaguar. Algumas equipes chegaram a ter problemas com a frenagem antes da pré-temporada, quando estavam nos estágios iniciais dos testes de pista com o Gen3.


Jake Hughes, piloto da McLaren, quando perguntado sobre o assunto, afirmou que ele não teria como falar pelas outras equipes, já que cada uma delas está trabalhando de uma forma, mas que até o momento, a equipe papaya não teve esse tipo de problema usando o trem de força da Nissan.


MELHORA NOS TEMPOS, RECORDES QUEBRADOS E ÚLTIMOS AJUSTES


Durante a sessão matutina, Jake Hughes fez uma volta de 1m25s284, batendo o recorde de volta rápida da categoria em Valência, que Max Günther havia estabelecido no segundo dia de testes da Fórmula E - onde o alemão fez 1m25s339, quebrando o recorde anterior que pertencia a Edoardo Mortara.

Entretanto, a alegria do piloto da McLaren durou pouco, já que apenas uma hora depois, o veterano Jean-Éric Vergne fez a volta mais rápida com 1m25s248.


Confira abaixo como ficaram as posições após o término do teste da manhã.


Melhores tempos por setor:


Setor 1 - Vergne (28.461)

Setor 2 - Vergne (30.475)

Setor 3 - Hughes (25.942)



Na sessão vespertina, foi a vez de Stoffel Vandoorne estabelecer um novo recorde, ao bater o tempo feito anteriormente pelo seu companheiro de equipe com uma volta de 1m25s236.

Já nos minutos finais da última bateria de teste, Max Günther, que foi quem começou com a onda de bater recordes, decidiu que queria recuperar a sua marca e com o tempo de 1m25s127, estabeleceu o novo recorde de volta mais rápida da Fórmula E no circuito de Valência.


Mitch Evans causou a única bandeira vermelha da sessão da tarde nos minutos finais, quando o carro escapou na saída da curva 3 e ele teve que ser rebocado de volta para o pitlane. Devido ao tempo de espera para esse procedimento ser completado, quando os pilotos retornaram para a pista, faltavam apenas 3 minutos para o encerramento das atividades.


Uma coisa notável, foi que no último dia, uma boa parte dos carros apresentaram um desempenho melhor na velocidade, com alguns pilotos conseguindo diminuir quase 2 segundos dos tempos obtidos em relação ao primeiro dia.

Ainda está longe do ideal dentro do que foi projetado e é esperado para o Gen3, mas ao mesmo tempo, indica que as equipes estão avançando no caminho certo e isso se cruza com que o foi falado pelos chefes de equipe e pilotos na conferência de imprensa do segundo dia da pré-temporada.


Conforme o que foi informado pelo jornalista Sam Smith, Sérgio Sette Câmara não participou da sessão da tarde dos testes, porque seu carro apresentou problemas técnicos na parte da manhã e a NIO não conseguiu consertar por não ter peças de reposição.


Buemi, que havia se acidentado pela manhã, também perdeu a sessão vespertina, porque os mecânicos da Envision tiveram que correr para refazer a parte dianteira de seu carro e deixá-lo pronto a tempo para ser transportado para o México, pois tudo será colocado em um container e as equipes só voltarão a ter contato com os carros na semana do E-Prix da Cidade do México.

Inclusive, ao término das atividades da manhã já era possível ver uma movimentação das equipes para guardar e embalar algumas coisas.



Jean-Éric Vergne e Mitch Evans na coletiva de imprensa realizada nessa sexta (foto: FIA Formula E)


Na conferência de imprensa realizada antes do início dos trabalhos em pista na parte da tarde, Jean-Éric Vergne falou sobre a DS Penske e sobre como a equipe ainda se mantinha familiar para ele.


“Não parece uma equipe nova, embora, a gente tenha um novo nome, novo dono e novos mecânicos que vieram da Dragon. Mas o time de engenheiros é o mesmo que já trabalhava comigo nos últimos cinco ou seis anos”, disse Vergne.


Em relação ao Gen3, o piloto francês comentou que o carro é mais rápido que o antecessor, mas que ainda há muitas áreas para serem exploradas até que consigam extrair o melhor da potência que essa nova geração tem a oferecer.


Uma coisa que foi comentada, é que os pilotos correram com pneus usados em uma parte dos testes e com pneus novos em outra parte. Isso aconteceu, principalmente, nos testes realizados na quarta e na sexta, para que as equipes pudessem reunir mais informações sobre o desgaste, aderência e tempo de vida útil do pneu.

Lembrando que essa versão final dos pneus Hankook só foi aprovada pela FIA em outubro, portanto, somente em Valência que grande parte do grid teve o seu primeiro contato com o novo composto.


Ao final da última sessão da pré-temporada, pilotos de equipes diferentes compuseram o top 5.

Além de Maximilian Günter (Maserati) em P1, tivemos Stoffel Vandoorne (DS Penske) em P2, Oliver Rowland (Mahindra) em P3, Jake Hughes (McLaren) em P4 e Sam Bird (Jaguar) em P5.


Confira abaixo como ficaram as posições após o término do teste da tarde.


Melhores tempos por setor:


Setor 1 - Günther (28.592)

Setor 2 - Hughes (30.296)

Setor 3 - Müller (25.863)



Um total de 5.128 voltas foram completadas ao longo dos quatro dias em que os carros entraram na pista no circuito de Valência.


A Fórmula E retoma as atividades no dia 14 de janeiro de 2023, na cidade do México, para a corrida que abre a nona temporada da maior categoria de automobilismo elétrico do mundo.

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