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O Retorno de Nyck de Vries: uma segunda chance para recomeçar do zero

Depois de um fraco desempenho na Fórmula E em 2022 e um frustrante 2023 na Fórmula 1, De Vries está de volta sob muita desconfiança e em uma Mahindra que luta para se recuperar



Quando Nyck de Vries ganhou o título da Fórmula E em 2021, muitos atribuíram o feito à sorte, já que na última rodada do campeonato todos que estavam diretamente brigando pelo título com De Vries, tiveram problemas com seus carros ou se acidentaram. Porém, não foi culpa do piloto neerlandês o azar de seus adversários, até porque independentemente de qualquer coisa, para poder estar na briga por um título é necessário fazer uma boa campanha e isso foi feito por De Vries na 7ª temporada.


Em 2022, era esperado que Nyck pudesse repetir o feito conquistado no ano anterior. A Mercedes era a melhor equipe do grid e ele tinha a faca e o queijo na mão para chegar em um bicampeonato, contudo, a cabeça de De Vries estava em qualquer outro lugar, menos no campeonato que ele estava ativamente correndo naquele ano.


Não é segredo para ninguém que como campeão da Fórmula 2, o objetivo principal de Nyck era chegar na Fórmula 1 e como não conseguiu um espaço imediato, ele foi correr na WEC e na Fórmula E, deste modo, ele poderia continuar competindo e ao mesmo tempo manter o seu vínculo com a F1 por ser reserva da Mercedes.


Todavia, desde o momento em que ele conquistou o título da Fórmula E, o seu nome passou a circular como uma possibilidade na Fórmula 1 e foi aí que Nyck de Vries se perdeu. Ele pareceu esquecer que estava defendendo um título na Fórmula E e começou a ser passado para trás por pilotos que corriam em equipes inferiores. Polêmicas envolvendo o neerlandês era uma constante e diversas vezes dentro de pista ele avançou em seus adversários de maneira perigosa.


Era comum ver membros de outras equipes jogando diretas e indiretas para De Vries em entrevistas e em conversas entre si. Na reta final do campeonato, o clima não era dos melhores e a sua campanha foi muito abaixo do imaginado, mas mesmo assim, Nyck conseguiu a sua chance na Fórmula 1.


Ele chegou na maior categoria automobilística do mundo não querendo ser tratado como rookie. Talvez, seja por isso que na mesma velocidade em que a sua chance veio, também foi embora. A paciência foi curta, a pressão era enorme e Nyck foi tratado como o piloto experiente que chegou afirmando que era.


Os fãs de Fórmula 1 ficaram decepcionados com a baixa performance entregue por ele, mas isso não foi nenhuma surpresa para os fãs de Fórmula E, que acompanharam De Vries em um 2022 completamente apático, onde a sensação que se tinha é que ele não fazia questão nenhuma de estar ali e a sua vontade de defender o seu título era inexistente.


Mas o mundo dá voltas e a famosa frase que diz que “nós só damos valor para algo quando perdemos” nunca fez tanto sentido. De Vries estava sem ter para onde ir após ser mandado embora da AlphaTauri. Depois de passar um tempo afastado de tudo, ele foi visto em público novamente durante a rodada final da Fórmula E em Londres, onde foi conversar com diversas equipes, incluindo a Maserati, que era o time que ele tinha um contrato assinado para 2023 antes de sair para tentar a chance na Fórmula 1.


Edoardo Mortara e Nyck de Vries serão companheiros de equipe

na 10ª temporada da Fórmula E (foto: Spacesuit Media)


Quando os rumores de seu retorno para a Fórmula E passaram a ficar críveis, ficou claro que nenhuma das grandes equipes do grid iriam ceder espaço para ele.


Os fãs de Fórmula 1 costumam afirmar que Nyck queimou a própria imagem e a imagem da Fórmula E devido ao que aconteceu na AlphaTauri, mas mal sabem eles que De Vries já estava queimado com os fãs e as equipes da categoria elétrica desde o momento em que não se portou como um campeão e fez pouco caso do lugar que lhe possibilitou seguir correndo profissionalmente.


Não dá para afirmar se foi uma questão de egocentrismo, mas Nyck se perdeu no meio do caminho e por consequência, aos poucos, foi perdendo a credibilidade e as portas foram se fechando até chegar em um ponto onde ele se viu sozinho e sem perspectiva. Entretanto, quando Nyck já havia declarado que daria um tempo no automobilismo para se dedicar aos estudos, a Mahindra lhe ofereceu a oportunidade de voltar a Fórmula E em 2024.


Frederic Bertrand, chefe de equipe da Mahindra, conversou brevemente com De Vries durante o E-Prix de Londres e lhe informou que a equipe estava a procura de uma nova dupla de pilotos para um projeto de recuperação, mas foi somente duas semanas depois disso que ambos conversaram por telefone e Bertrand revelou todos os detalhes do planejamento da Mahindra.


No começo de setembro, De Vries resolveu aceitar a proposta e o contrato com a equipe indiana foi assinado.


Em relação ao período curto na Fórmula 1, Nyck admitiu que foi difícil processar tudo o que aconteceu, mas por ter muito apoio de sua família e amigos se tornou um pouco mais fácil passar por essa fase turbulenta.


“Esse foi um capítulo da minha vida e claro que ainda dói, mas eu tive tempo o suficiente para refletir sobre as coisas. A lição que eu tirei disso é que muitas vezes a gente se concentra em apenas um objetivo, porque acreditamos que esse seja o destino final. Mas na verdade não existe um único caminho. Eu estou começando um capítulo diferente agora e estou ansioso para isso”, disse.


O piloto que já esteve no topo, na melhor equipe do grid e no lugar mais alto do pódio, vai ter que recomeçar de baixo. A Mahindra está enfrentando dificuldades e passando por um processo de reestruturação. De Vries precisará ser paciente, pois terá que lidar com momentos frustrantes, problemas técnicos e vai precisar entregar uma boa pilotagem para conseguir brigar por pontos.


A segunda chance que Nyck de Vries tanto buscava veio justamente do lugar que tinha tudo para fechar as portas para ele. Agora, cabe ao piloto neerlandês manter essa porta aberta.

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