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Mitch Evans comenta sobre a final da Fórmula E, acidente com Cassidy e o futuro com a Jaguar

Apesar dos recentes acontecimentos, Evans está focado em vencer no E-Prix de Londres e se mostra otimista com o futuro da Jaguar: “O título por equipes e pilotos é só uma questão de tempo”



Ainda levemente abalado com os acontecimentos do E-Prix de Roma, mas já focado na rodada final da temporada de 2023 da Fórmula E em Londres, Mitch Evans falou com o Entre Fórmulas sobre a batida que teve com Nick Cassidy, briga pelo título, melhores lembranças da temporada e a sua trajetória na Jaguar.


A entrevista se iniciou direto nas feridas que ainda estão em processo de cura. Além do grande acidente de sábado, que envolveu boa parte do grid, na prova de domingo aconteceu a batida entre Evans e Cassidy no começo da corrida em Roma. Mesmo que o piloto da Envision tenha permanecido na pista, ele terminou a corrida fora da zona de pontuação.


Mitch e Nick são compatriotas e amigos desde os tempos de escola e com ambos na briga pelo título com Jake Dennis, a batida acabou diminuindo as chances dos dois. Evans ficou bastante abalado no dia da corrida devido ao erro cometido por ele.

“Meus sentimentos no momento estão meio mistos. Eu estou tentando fazer com que o que aconteceu no domingo não apague o resto da minha temporada, mas eu sei que isso estragou muito as minhas chances de título. É irônico, porque foi o meu único erro do ano, mas que veio no pior momento e não somente estragou as minhas chances, mas atrapalhou muito as chances do Nick”, disse.


Mitch enfatiza que Nick ainda tem como brigar de igual para igual com Dennis em Londres, mas que poderia estar em uma situação bem mais próxima na pontuação se não fosse pela colisão causada por ele. Apesar disso, Evans e Cassidy tiveram uma longa conversa no mesmo dia em que tudo aconteceu e as coisas parecem estar acertadas entre os dois. Com uma rodada dupla se aproximando, a mente do piloto precisa focar no próximo desafio.


“É um daqueles momentos que é muito difícil de engolir e seguir em frente. Agora temos que ir para Londres e tentar ganhar as duas corridas. Sei que isso soa meio otimista, mas é assim que tem que ser, certo? E agora tem menos pressão, porque as minhas chances são pequenas. Claro que seria melhor ter uma briga mais próxima entre eu, Jake e o Nick. O que aconteceu ajudou muito o Jake, porém, acho que é assim. E se tratando de má sorte, eu acho que entre os quatro primeiros, o mais azarado sou eu.”


Ainda falando sobre o E-Prix de Roma, uma das principais críticas dos fãs da categoria são as famosas ondulações - bumps - das ruas italianas por onde os carros da Fórmula E competem, por serem bastante perigosos. As ondulações fazem parte das pistas de rua, mas em Roma elas costumam ficar próximas de buracos, o que dificulta muito no controle do carro.


Mitch contou que os pilotos estão em conversas com a Fórmula E para pensar em uma forma de resolver isso, principalmente, nos pontos cegos da pista, como no caso da curva onde ocorreu o acidente da corrida de sábado.


“Aquela curva em específico é muito complicada por si só. Indo por dentro, quando você está virando tem uma inclinação e no meio da pista tem uns buracos em sequência, então, você tem que mirar o carro para passar entre eles e se você for um pouquinho para a direita, assim que passar por um desses buracos a parte da frente vai saltar e você não tem chance. Esses são os tipos de coisas que precisamos corrigir para o futuro, especialmente, em curvas de alta velocidade. Por sorte, ninguém se machucou, mas para as equipes custou muitos danos e dinheiro. Espero que possamos aprender com isso e que as inspeções de pista no futuro sejam melhores”, comentou.


Evans durante o E-Prix de Portland (foto: Formula E)


Com o pensamento focado em Londres, Mitch entende a importância que a corrida tem para a Jaguar, porque estarão correndo em casa. Quando estão no Reino Unido, é comum que os funcionários da empresa e acionistas compareçam para prestigiar o evento.


Mitch sabe que as coisas não estão muito ao seu favor, mas ele garante que irá tentar ao máximo vencer as duas corridas, mesmo consciente de que isso seja uma tarefa quase impossível.


“No ponto de vista da disputa do título, obviamente, que o Jake tem uma boa vantagem para as duas corridas. Para mim a chance é menor, é mais realista que o Nick possa alcançá-lo. Mas, como a gente viu na segunda corrida em Roma, as coisas podem mudar muito rápido. Não espero que nada estranho aconteça, mas não tem como saber. As coisas acontecem rápido demais na Fórmula E. Eu não acho que alguém previu que o meu erro em Roma aconteceria”, afirmou.


Um dos destaques da temporada, foi a evolução do trem de força da Jaguar. A equipe conseguiu trazer boas atualizações no software e isso ficou claro com grandes resultados conquistados tanto por eles, quanto por sua equipe cliente, Envision.


O Entre Fórmulas perguntou para Mitch se desde o começo ele sabia o quão forte esse trem de força era e como foi para ele ver o desenvolvimento disso, uma vez que a Jaguar começou a encontrar o seu caminho a partir do E-Prix de São Paulo.


“Eu acho que tivemos um começo lento no México, mas começamos a mostrar um pouco do nosso potencial na Arábia Saudita, onde eu larguei da primeira fila. Se você considerar a Envision também, já que eles usam o trem de força da Jaguar, o Buemi conseguiu uma pole position em Diriyah. A partir dali a gente conseguiu enxergar um pouco mais da performance. Mas do lado da Jaguar, o Sam teve um pódio no começo e eu tive alguns problemas de consistência. Depois teve toda a situação com o Sam em Hyderabad e eu levei uma punição na Cidade do Cabo. Pensando no campeonato, para mim as coisas começaram a funcionar em São Paulo e lá tivemos um pódio só com o trem de força da Jaguar, o que eu acho que poderia ter acontecido ainda mais cedo”, explicou.


No ponto de vista do neozelandês, a equipe teve uma temporada muito positiva como fabricante e pode se orgulhar dos resultados obtidos. Em relação às comparações constantes com a Porsche, o piloto destaca o bom trabalho da rival, dizendo que é difícil saber qual das duas possui o trem de força mais forte.


“É uma disputa apertada entre a Jaguar e a Porsche. Nós ganhamos muitas corridas esse ano e pelo lado da Porsche é o mesmo. Tem sido uma boa disputa entre ambas até aqui e temos uma boa chance de ganhar o campeonato por equipes, assim como a Envision. Foi um sólido começo de Gen3 e eu espero que possamos fortalecer ainda mais a base que construímos esse ano e dar mais um passo na próxima temporada.”


Mitch Evans pole position em Roma (foto: Formula E)


Em relação a tudo o que foi vivido até aqui, o piloto relembrou os seus momentos favoritos no campeonato dentro e fora de pista. São Paulo foi colocada entre as melhores lembranças que o Mitch tem da temporada, não só pela vitória conquistada no Brasil, mas também pelas aventuras gastronômicas.


“Na pista, eu acho que a nossa dobradinha em Berlim é um desses momentos. São Paulo também, porque tivemos o trem de força da Jaguar ocupando cada degrau do pódio. Na hora da celebração, eu só pulei naquela coisa e foi muito legal. Não tenho certeza se eu quebrei ou não, mas aparentemente aguentou o meu peso. Foi um momento divertido!”, disse.


O piloto riu ao contar sobre o pódio temático de carnaval que estava no Sambódromo do Anhembi. Semelhante a um carro alegórico, o pódio contava com onças-pintadas de enfeite e no momento da euforia os pilotos e membros da equipe subiram em cima das onças para comemorar e tirar fotos.


“Nós fomos em um rooftop no México. Comemos em um restaurante em São Paulo e o chefe cozinhou coisas maravilhosas para mim e para o Sam Bird. Fizemos uma sessão de fotos em Mônaco, em um barco no meio do mar mediterrâneo e é algo meio difícil de ser superado, mas escolher um só é impossível.”


A Jaguar fez a sua estreia na categoria elétrica na terceira temporada e Mitch Evans está com eles desde o início dessa jornada. São poucos os pilotos do grid da Fórmula E, que tiveram o privilégio de passar tanto tempo dentro de uma mesma equipe. Quando perguntado sobre a sensação de ver todo esse crescimento e evolução do time, o piloto destacou como a sua história está conectada com a Jaguar e que eles são a sua família.


“Minha ascensão no cenário profissional aconteceu ao mesmo tempo do surgimento da Jaguar na Fórmula E e gerou todos os bons resultados obtidos ao longo das temporadas. Ainda precisamos conquistar a meta principal que é o título por equipes e pilotos, nós já estivemos bem perto de conseguir e eu tenho certeza que é só uma questão de tempo”, disse.


Sem entrar em detalhes, o piloto apenas deixou no ar que a equipe tem grandes planos para o período de transição entre os carros do Gen3 e do Gen4. Diante de todos os objetivos traçados por Evans, ficou claro que a história dele com a equipe inglesa ainda deverá ter muitos capítulos.


“Temos grandes planos para 2025 e ser parte dessa próxima fase da história da equipe com certeza será muito incrível. Eu não planejo sair da Jaguar em um futuro próximo”, finalizou.

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